Todo carnaval tem seu fim…

17 02 2010

Depois da dionisíaca folia de Momo vem a quarta feira de cinzas que pode ter lá sua poesia também.

Abaixo trechos de um poema de T. S. Eliot que pode ser lido inteiro em português. Clique em Quarta-feira de Cinzas se quiser saber um pouco mais sobre esta data ou  link

Quarta-feira de Cinzas – T.S. Eliot (tradução Ivan Junqueira)

V

Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastou
Se a palavra inaudita e inexpressa
Inexpressa e inaudita permanece, então
Inexpressa a palavra ainda perdura, o inaudito Verbo,
O Verbo sem palavra, o Verbo
Nas entranhas do mundo e ao mundo oferto;
E a luz nas trevas fulgurou
E contra o Verbo o mundo inquieto ainda arremete
Rodopiando em torno do silente Verbo.

                          Ó meu povo, que te fiz eu.

Onde encontrar a palavra, onde a palavra
Ressoará? Não aqui, onde o silêncio foi-lhe escasso
Não sobre o mar ou sobre as ilhas,
Ou sobre o continente, não no deserto ou na úmida planície.
Para aqueles que nas trevas caminham noite e dia
Tempo justo e justo espaço aqui não existem
Nenhum sítio abençoado para os que a face evitam
Nenhum tempo de júbilo para os que caminham
A renegar a voz em meio aos uivos do alarido

Rezará a irmã velada por aqueles
Que nas trevas caminham, que escolhem e depois te desafiam,
Dilacerados entre estação e estação, entre tempo e tempo, entre
Hora e hora, palavra e palavra, poder e poder, por aqueles
Que esperam na escuridão? Rezará a irmã velada
Pelas crianças no portão
Por aqueles que se querem imóveis e orar não podem:
Orai por aqueles que escolhem e desafiam

                       Ó meu povo, que te fiz eu.

Rezará a irmã velada, entre os esguios
Teixos, por aqueles que a ofendem
E sem poder arrepender-se ao pânico se rendem
E o mundo afrontam e entre as rochas negam?
No derradeiro deserto entre as últimas rochas azuis
O deserto no jardim o jardim no deserto
Da secura, cuspindo a murcha semente da maçã.

                     Ó meu povo.

(…)





O som do trivial.

20 01 2010

O artista francês Céleste Boursier-Mougenot possui um trabalho de nuances delicadas, que transita na fronteira entre a música e as artes plásticas.

Para esta instalação intitulada “The Curve” criou um trabalho a partir dos ritmos da vida cotidiana para produzir sons inesperados e randômicos, para tanto, ele fincou guitarras elétricas e outros instrumentos e objetos em um cativeiro de tentilhões-zebra os acostumando com os equipamentos.

O resultado desta experiência criativa é que dias depois, na rotina diária dos pássaros, estes passaram a empoleirar-se e a alimentar-se nos instrumentos, produzindo uma série de sons randômicos com seus toques captados ao vivo por câmeras e mostrados no vídeo abaixo.

Realmente uma cativante paisagem sonora.